Desmonte dos órgãos que deveriam proteger o meio-ambiente e as populações tradicionais e originárias

Os dois primeiros anos do governo Bolsonaro, 2019 e 2020, assim como as manifestações durante a campanha para eleição presidencial em 2018, não deixaram dúvidas, mesmo para os mais céticos, quanto às suas posturas franca e explicitamente anti-indígenas. Se o cenário já vinha se agravando em anos anteriores, o atual governo e seus aliados têm atuado diretamente para reverter as políticas públicas voltadas aos povos indígenas, incluindo aquelas relacionadas à saúde. O desmonte dos órgãos que deveriam proteger o meio ambiente a as populações tradicionais, a reversão de leis que garantiam direitos assegurados pela Constituição de 1988, o incentivo aberto à invasão e depredação do patrimônio natural por garimpo ilegal e grileiros, o desmatamento, o barramento e envenenamento de rios, os programas de incentivo ao agronegócio, a mineração e grandes obras de infraestrutura afetaram a possibilidade de vida das populações tradicionais. E esse panorama, já trágico, foi piorado com a chegada do coronavírus ao interior do país, atingindo as aldeias e levando à morte principalmente os anciãos detentores do conhecimento. Regiões totalmente desassistidas pelo poder público, mas que pode riam se manter isoladas, evitando a contaminação, estão invadidas, principalmente por garimpeiros e grileiros, que levam, além da Covid-19, contaminação e outras doenças para as populações vulneráveis. A situação vem sendo denunciada como genocídio por lideranças indígenas que hoje ocupam as redes sociais e chegam até a grande mídia, dentro e fora do país, exigindo o posicionamento da opinião pública e dos governos. Vídeos produzidos nas aldeias em línguas nativas para informação das comunidades, lives, podcasts, documentários têm sido importantes ferramentas de comunicação das populações indígenas com um público mais amplo, numa demonstração de estratégia e domínio de novos conhecimentos para seguirem na luta por direitos e pela vida.


Ano de início: 2019
Ano de fim: 2022
Documento: POLÍTICAS ANTES DA POLÍTICA DE SAÚDE INDÍGENA [online]. PONTES, A. L. M., MACHADO, F. R. S., and SANTOS, R. V., eds. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2021, 408 p. Saúde dos povos indígenas collection. ISBN: 978-65-5708-122-8. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9786557081228