Realizado em Fátima de São Lourenço em janeiro de 1986, manteve “opção pela valorização e incentivo da medicina nativa” afirmada nos encontros anteriores, mas procurou “conquistar e assumir novos espaços”, indicando a coleta de dados (em âmbitos local e regional) como imprescindível a um “planejamento mais eficiente”. Apenas alguns meses após o encontro anterior, em Ceres, GO, o 5º Encontro caracterizou-se por um “alto teor político” em detrimento da “parte técnica” prevista no programa. Segundo consta no relatório do encontro, isso se justificava “em virtude de ter ocorrido às vésperas da eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, fato por demais relevante para o processo político em nosso país” e também de anteceder a Conferência Nacional de Proteção à Saúde do Índio, para a qual era preciso “preparar um documento à altura”. Na plenária, foram feitas algumas constatações sobre a situação na área da saúde: 1. Displicência das autoridades sanitárias competentes no enfrentamento das epidemias e no enfrentamento da saúde assistencialista e paternalista. 2. Treinamento de agentes de saúde “alienante”, gerando “aculturação individual”, com repercussões na saúde mental e social como consequência da “perda dos conhecimentos” e de um “novo status na aldeia”. 3. “Aculturação social” em razão de perda de terra, presença de grandes projetos, frentes de contato, perda linguística. 4. “Aculturação corporal”, isto é, perda das defesas orgânicas. 5. Necessidade de atenção aos problemas de saúde que demandam “atendimento de branco”: referência e contrarreferência.
4º e 5º Encontros de Saúde (CIMI)
Ano de início: 1986
Documento: POLÍTICAS ANTES DA POLÍTICA DE SAÚDE INDÍGENA [online]. PONTES, A. L. M., MACHADO, F. R. S., and SANTOS, R. V., eds. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2021, 408 p. Saúde dos povos indígenas collection. ISBN: 978-65-5708-122-8. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9786557081228